E em como a moda pode ser não só estética, mas de extrema importância no amadurecimento da vida de uma mulher…
“C’est magnifique, mes amis!” (É magnífico, meus amigos!)
Hoje tive a honra de tomar uma deliciosa limonada suíça feita de um dia cheio de limões bem amargos. Como a vida é cheia de altos e baixos e o importante é saber ressignificar, hoje tive o prazer de tirar um tempo para mim e me sentar para ver um filme que, só pelo nome, já parecia ser o meu perfil. Que grata surpresa me encontrar comigo mesma…
Sem mais delongas, vamos ao filme. Sra. Harris vai a Paris é, na minha opinião, um filme delicado. Foi isso que me surpreendeu: com sua delicadeza, me pegou de surpresa abordando um tema que eu não esperava, embora os sinais estivessem sempre ali, talvez nem tanto sutis.
Sra. Harris, uma senhora que se descobre viúva, precisa aceitar sua nova condição de vida e descobrir como ressignificar. Ela se vê deslumbrada por um vestido de alta costura (ou “haute couture”) de Christian Dior.
Sra. Harris, ou Ada Harris, para os íntimos, decide ir atrás desse sonho. Tudo o que ela tem é simpatia, um coração bondoso, força de vontade e, é claro, um pouco de sorte.
Nos deparamos com uma história profunda, onde não é só a busca por um vestido de alta costura que importa. “Aqui em Paris, quem manda é o trabalhador”, diz um figurante do filme. Isso mostra de maneira explícita, mas só para quem captou as entrelinhas, que a voz dos trabalhadores deve ser ouvida quando correm atrás de seus direitos.
Sra. Harris, uma empregada doméstica de Londres, nos leva a momentos engraçados e tocantes onde a vemos lidar com desafios de forma encantadora, ela nos ensina a importância de valorizar nosso trabalho, nosso dinheiro, e nosso lugar na sociedade sem perder a sutiliza e a delicadeza. Nos ensina que devemos ser ouvidos, realizar nossos sonhos e nos unir.
Além de tudo isso o filme nos presenteia com paisagens parisienses de encher os olhos e encantar, figurinos maravilhosos, e todo o encanto que se pode ter em Londres e em Paris na década de 50 a 60.
O filme também nos leva a uma reflexão emocional, onde cada personagem trás uma lição, da insegurança de André Fauvel ao descobrir de grande filosofa que existe dentro da beleza de Natasha e do quanto Mrs Harris e Claudine Colbert são mais parecidas do que imaginamos! Um filme que consegue capturar momentos de alegria no dia a dia do trabalhador, perseverança e resiliência. É também muito interessante observar como a Sra Harris se mantém fiel a si mesmo independente de quaisquer adversidades e como ela sabe se recolher para lembrar-se de quem ela é.
Agora, falando diretamente às mulheres: Sra. Harris nos traz a reflexão de que nós, meninas, garotas, mulheres trabalhadoras, amamos cortejos e gentilezas, amamos ser cuidadas e paparicadas pelos homens ao nosso redor. Mas é extremamente importante saber que somos capazes de fazer as coisas por conta própria. Se desejarmos independência, podemos alcançá-la. Sem importar quem pague por nossas coisas, se decidirmos que queremos um vestido ou uma joia, seja Christian Dior, Chanel, Prada, Louis Vuitton, Vivara, Pandora, entre outras, podemos comprá-los de nós para nós mesmas, porque não é só sobre termos, mas também sobre sabermos da nossa capacidade, da nossa coragem e da nossa determinação, sem nunca perder a doçura, a feminilidade e a simplicidade. Queremos e podemos nos sentir capazes e livres. Temos nossa feminilidade, mas a partir do momento que decidirmos fazer algo, vamos conseguir. E como diria o filósofo Jean-Paul Sartre:
“Os outros seres são predeterminados, o homem é livre, então o homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo.